4 de outubro de 2005

o direito à escolha

Parece que afinal não é só aqui e no site da Ordem que se fala disto. Aqui, aquilo que se andou a discutir no jantar passado e a acordar a vizinha está maravilhosamente defendido. E, pasme-se, não é só "malta fixe" que defende a detestável revogação: também os betinhos de direita o fazem, mais uma razão para sermos contra aqui no Santa Bárbara e que nos dá força para continuar!
(que me desculpem os referidos betinhos, com os quais até concordo muitas vezes, mas esta foi uma argolada...). Já agora, se alguém tiver paciência para os posts anteriores sobre isto:
o direito à arquitectura 1
o direito à arquitectura 2
o direito à arquitectura 3
o direito à arquitectura 4

3 comentários:

João Amaro Correia disse...

não está em causa querer-se ter uma casa de um pato-bravo, de um mau arquitecto ou de um arquitecto de merda ou mesmo de um bom arquitecto! o que está em causa é apenas e tão só o acesso a uma profissão. que por acaso é especializada. que por acaso exige formação. que por acaso é liberal. e que por acaso é como a dos treinadores de futebol: em cada português há dois ou três.
que queiras viver numa casa com pilarzitos e marquises e a casa de banho nos cantos, não tenho problema nenhum.
mas se usares um bocadinho a cabeça vais ver que o que defendes é que um paramédico passe receitas, um enfermeiro opere cirurgias e que um médico conduza a maca. é tudo possível claro. e nada garante que o médico não seja melhor condutor que o próprio condutor da ambulância.
mas para isso então que se anuncie o laissez passer em todas as profissões.
e será que me queres a calcular as armaduras de um arranha céus? confias nisso?
abraço da "malta fixe"

Alexandre disse...

cara malta fixe:

se perguntar a um leigo: se tiver que ser operado, fará de tudo para o ser por um cirurgião? a maioria dirá que sim.

se perguntar a um leigo: se tiver que fazer uma casa, fará de tudo para ter um projecto de arquitecto? a resposta não será tão óbvia...

não podemos confundir uma profissão de valor acrescentado, em grande parte artística, como a nossa, com uma profissão altamente técnica e científica como a medicina ou a engenharia.
Ainda que fosse provado (e não é) que a qualidade da nossa paisagem melhoraria com a revogação, a ingerência do Estado na vida privada deve ser sempre reduzida ao mínimo indispensável. E a arquitectura não faz parte disso...
abraço

AA disse...

Nesta peleja inclino-me para o lado do anfitrião alexandre.

É preciso acrescentar que a liberalização das profissões liberais depreende que as pessoas passem a ser responsabilizadas pelo que fazem, civil e criminalmente.